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terça-feira, 31 de maio de 2011

Algumas acepções da palavra Logos


O termo logos (do grego legein, do latim verbum), é conceito central da filosofia grega. Possui inúmeras acepções em diferentes doutrinas filosóficas, variando às vezes no pensamento de um mesmo filósofo e é, talvez, o mais importante de todo o vocabulário filosófico, mas, não pode ser traduzido facilmente porque contém uma pluralidade de significados ligados entre si. Na língua grega clássica equivale a palavra, verbo, enunciado, definição, discurso, explicação, cálculo, medida, avaliação, razão, causa, pensamento, necessidade, e outros mais. Supõe-se que em seu sentido etimológico originário de reunir, recolher, está contido o caráter de combinação, associação e ordenação do logos, que dá sentido às coisas.
Logos, no grego, ora significando inicialmente a palavra escrita ou falada — o Verbo. Mas a partir de filósofos, como Heráclito, passa a ter um significado mais amplo. Logos passa a ser um conceito filosófico traduzido como razão, tanto como a capacidade de racionalização individual ou como um princípio cósmico de ordem e beleza. Com Sócrates tem-se, por exemplo, o termo logos como palavra, conversa, e em outro sentido, passa a significar a razão que se dá a algo, é a razão dada ao mesmo, mais propriamente conceito.
Então: O que é logos? A terminologia do logos tem um sentido polissêmico? Quais os sentidos do logos?

1) Primeira parte: mýthos e logos
Jean-Pierre Vernant, busca esclarecer a importância e o lugar do logos alethés (palavra sagrada) anterior à sua transformação, por assim dizer, em logos filosófico. A fundamental questão é a de quando, como e porque se dá a separação entre o mýthos e logos?
O mito, faz parte da psyché humana, é um modo de ler o mundo, não é irracional, como querem alguns. A palavra irracional, hoje, é extremamente pesada para explicar o pensamento mítico; afinal, ele é um pensamento bem estruturado, porém sem necessidade de provas, de argumentos. Seu valor de verdade não é aferido por sentenças, não se trata somente da linguagem, do logos como discurso argumentativo, pois a psyché é bem mais extensa que a criação do pensar-dizer na forma sentencial. Ambas as palavras, mýthos e logos, têm praticamente a mesma origem e uso iniciais, mas, após ocorrer uma diferenciação no uso, o mýthos fica vinculado às narrativas acerca dos deuses, e o logos, reveste-se do aspecto lógico da filosofia. Mas onde está a verdade (aléthea)? No mito ou no logos? Segundo Vernant: a verdade (aléthea), não pode ser separada da ordem ritual, da prece, ou do direito, ou ainda, da potência cósmica. Sendo o Logos alethés - palavra divina e verdadeira, dispõem dela, os basileus (reis), os sacerdotes (advinhos) e os aedos (poetas), sendo que estes últimos, as recebem diretamente da divindade, mediada pelas Musas, filhas de Zeus e Mnemosyne. Inspiram o poeta ditando-o ao seu ouvido, fazendo dele um mero porta-voz do divino (théos). Logo, mýthos é da ordem do legêin, como indica o composto mythologêin, mythología, e não contrasta inicialmente com logoí, termo cujos valores semânticos são vizinhos e que se relacionam às diversas formas do que é dito. Num determinado estágio da sociedade grega, os dois conceitos, mýthos e lógos, não apresentam grandes diferenças entre si. E a palavra formulada no contexto de uma narrativa sagrada como a Teogonia que narra a origem dos deuses, por Hesíodo, tanto pode ser considerada mýthos como hiéros lógos (discurso ou palavra sagrada). Só muito mais tarde essas palavras do vocabulário épico caem em desuso e são praticamente substituídas por lógos e legêin. Ao que parece, é esse processo de substituição que gera a ideia posterior de oposição entre mýthos, que fica associado aos hiéroí logoí, e lógos, que passa a ser associado à Filosofia.
Para melhor compreender o fenômeno comum ao processo de evolução linguística, onde há ambiguidade lexical, ou seja, a palavra tem mais de um significado, a palavra lógos, contribui para isso, por exemplo, o seu uso no âmbito das matemáticas e da teoria da música dos pitagóricos, uma vez que o significado original do termo mythologêin (reunir, contar) é mais apropriado aos números. O significado originário da palavra reunir, contar, remete ao âmbito racional dos números e das relações entre números no qual o conceito de lógos se constitui pela primeira vez. A partir desse contexto se generaliza a palavra lógos como conceito contrário a mýthos. Em oposição àquilo que refere uma notícia que se sabe somente graças a uma simples narração, ciência é o saber que repousa sobre a fundamentação e a prova.
Observa-se nessa primeira parte, de que com o tempo, as duas palavras: mito e logos passam a ser utilizadas em oposição: uma, dado o uso associado à épica, passa a designar as narrativas sobre os deuses; outra passa a ser usada para designar a palavra do filósofo que, em oposição à narrativa sagrada, é objeto de reflexão e, eventualmente, até de comprovação. Desvincula-se, assim, a palavra que discorre acerca do ser e das coisas, a palavra-movimento, da palavra que simplesmente narra a história dos deuses como um fim em si mesma.

2) Segunda parte: o logos como discurso, razão, definição, faculdade racional, proporção
Uma das maiores dificuldades na interpretação do logos é: Como determinar quando é que esta palavra grega comum e amorfa está a ser usada num sentido técnico e especializado? Por isso, Heráclito, no qual desempenha pela primeira vez papel de relevo, a emprega frequentemente no seu uso comum, mas também tem uma doutrina especial que se centra em volta do logos num sentido mais técnico: para ele o logos é um princípio subjacente e organizador do universo, relacionado com o significado comum de logos como proporção (DK 1, 50), a lei da mudança tão frequentemente associada ao pensamento de Heráclito (DK 60, 111). E esta harmonia que é na realidade uma tensão de opostos não deve ser entendida no sentido de um retorno cíclico, mas sim como um estado estável (DK 10, 50). Este princípio do lógos, embora seja oculto e perceptível apenas para a inteligência (DK 54, 114), é ainda material, como se pode ver pela identificação do logos heraclitano com o fogo cósmico (DK DK 41, 64), e a sua descrição do processo de pensar (DK 16, 22). Platão também usa o termo logos de vários modos, no Fédon salienta, como característica do verdadeiro conhecimento (episteme) a capacidade de fazer um relato (logos) daquilo que se sabe.
No Teeteto este aspecto do logos está incorporado na definição de episteme: opinião verdadeira (doxa) acompanhada de um relato. Sócrates discute o que significa logos neste contexto, e da sua análise emerge uma descrição do logos, como a afirmação de uma característica distintiva de uma coisa. A vitalidade deste, é negada com fundamento no fato de não ter valor no caso dos seres sensíveis individuais. Mas, quando esta concepção do logos sobe na escala platônica do ser tem obviamente um papel a desempenhar; Platão descreve o dialético (dialektike) como aquele que pode fazer um relato (logos) do verdadeiro ser (ou essência, ousia) de alguma coisa, é, o termo do processo da divisão (diairesis) descrito no Sofista, a definição (horos) aristotélica por gêneros e espécies; na verdade, Aristóteles usa frequentemente logos como sinônimo de horos, horismos.
Outro uso típico aristotélico, é o logos como razão, racionalidade, particularmente num contexto ético. Também entende o logos como proporção matemática, ratio, uso que remonta provavelmente aos pitagóricos, se bem que não esteja claramente expresso nos seus fragmentos. E, ainda, para a aplicação do logos como proporção ao problema das misturas, holon; para a sensação e o órgão dos sentidos, aisthesis; e, em geral, meson. Na língua grega, discurso se diz logos, a mesma palavra da qual deriva a palavra lógica. Logos é palavra, discurso, argumento e, porque é pelo discurso que enuncia-se aquilo que se pensa, logos é, também, consideração, avaliação, reflexão e juízo (discernimento), ou seja, a capacidade de pensar racionalmente. Logos, também, pode ser traduzido por razão — e assim, em nada perde-se para a definição que aprendemos na escola.
Neste parágrafos, discorre-se fundamentalmente, que para um grego, estas duas coisas são inseparáveis: o discurso para ser produzido depende da razão tanto quanto a razão só se desenvolve no discurso. Mas, ainda há um outro sentido para a palavra logos, assim como para a palavra razão: medida, cálculo, relação, ordem e, por extensão, fundamento, razão-de-ser de algo. Não se trata apenas das capacidades de pensar e de falar. Existe razão nas coisas, quando apresenta-se o porque e as causas delas serem o que são.

3) Terceira parte: logos pessoa divina
O ponto de partida estoico sobre o logos é a doutrina heraclítana de uma fórmula de organização totalmente universal, que os estoicos consideram divina (namos). O logos é a força ativa (poioun) no universo, criadora à maneira do esperma – logoi spermatikoi. Tal como em Heráclito é material e identificado com o fogo (pyr). É também idêntico à natureza (physis). Esta presença que enforma o universo desenvolve-se em várias direções. Quais? Visto que, é uma unidade serve de fundamento à teoria da simpatia cósmica (sympatheia) e da lei natural, bem como ao imperativo ético – viver de acordo com a natureza (nomos). A teoria linguística estóica distingue ainda o logos interior (= pensamento) e o logos exterior (= discurso).
Fílon conhece a distinção entre o logos interior e o exterior, e consegue aplicá-la à maneira ortodoxa estóica (De vita Mos. II, 137), e é, talvez, esta distinção, juntamente com a tradição escrituraria judaica acerca da Palavra de Deus, que o leva ao novo tratamento do logos. No primeiro caso o logos é a razão divina que abarca o complexo arquetípico dos eide que serve de modelos da criação. Depois, este logos que é espírito de Deus, é exteriorizado na forma do kosmos noetos, o universo apreensível só para a inteligência. É transcendente e é Deus, embora não o Deus, mas antes o Filho mais velho de Deus. Com a criação do mundo visível (kosmos aisthetos) o logos começa a desempenhar um papel imanente como a marca da criação, o elo do universo estoico. Fílon difere dos estoicos ao negar que este logos imanente é Deus; para o papel providencial do logos de Fílon, ver pronoia. Fílon dá ao seu logos um papel distinto na criação: é a causa instrumental; é também uma luz arquetípica, reaparece esta última imagem em Plotino, (Eneadas III). Mas, há uma diferença entre os dois pensadores; o que em Fílon é tanto o logos como o nous é dividido em Plotino que usa o conceito de logos de um modo afim aos logoi spermatikoi estoico; onde o nous e o logos são diferenciados.
Logos significando discurso, palavra (verbo), palavra dotada de sentido. O nome transfere-se em seguida ao próprio sentido, ao conceito, ao conteúdo do pensamento, ao verbo interior, que tem sua expressão no verbo exterior, na palavra externa. De modo particular, denomina-se o logos o conteúdo que dá a razão de alguma coisa. Por vezes, denomina-se também logos a esfera integral dos pensamentos, das ideias, do espírito, em oposição à esfera do ente material ou vida orgânica, corporal, ao bios, ou para a distinguir da esfera das ações morais, do ethos; nesta acepção, o termo logos é empregado, quando, por exemplo: se fala da primazia do logos – tudo quanto pertence a este domínio do pensamento pode denominar-se lógico em sentido lato.
Contudo, as mais das vezes, o termo é empregado em sentido estrito, para designar as relações puramente mentais dos conteúdos do pensamento entre si, relações exclusivamente oriundas da maneira abstrata de pensar e que, por tal motivo, não encontra-se na esfera dos existentes, mas são meros entes de razão, exemplificando: a identidade entre o sujeito e o predicado; o lógico, tomado neste sentido, constitui o objeto da lógica. O próprio pensamento denomina-se lógico, quando guarda as leis estabelecidas pelas citadas relações dos conteúdos do pensamento; no caso contrário, é ilógico. Pelo contrário, o qualificativo alógico usa-se com o significado de alheio ao pensamento, à mente; assim, são alógicos os sentimentos e tendências, enquanto se subtraem à direção da inteligência (irracional). Logos designa, também, a ideia ínsita, por assim dizer, na realidade, e até no mundo corpóreo, ou seja, a configuração e forma das coisas determinada pelas ideias, a estrutura plenamente significativa que lhe é imanente.
Devido a esta estrutura e ordem, providas de sentido, o mundo físico converte-se em cosmos, em oposição a um caos absurdo. O termo logos adquire este sentido, quando fala-se da estrutura lógica da realidade (verdade). — O mundo das ideias não tem existência em si mesmo, mas só num ser real intelectual; de modo idêntico, a estrutura inteligível do mundo físico pressupõe um fundamento primitivo real dotado de inteligência. Este fundamento primitivo intelectual do universo, que em si contém todas as ideias, recebe, igualmente, na filosofia antiga, o nome de logos. Heráclito e os estoicos entendem este logos como uma razão universal que penetra e domina tudo (alma do mundo). No cristianismo, sob a influência do estoicismo e através do neo-platonismo, o logos, traduzido para o latim como verbum é a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade. É o Filho, ou Jesus. Mas, também, o verbo (ou a Palavra) é um tipo de instrumento ou de ajudante, que Deus utiliza para criar o Mundo, conforme se lê no Evangelho de São João: “no principio era o Verbo e o Verbo estava junto de Deus e o Verbo era Deus; e o Verbo se fez Carne e habitou entre nós.”
Nesta parte, demonstra-se que para alguns o logos é um ser intermédio entre Deus e o mundo, mediante o qual este foi criado por Deus. S. João Evangelista, no limiar de seu evangelho, contrapõe a ambas as concepções a doutrina cristã do Filho de Deus, essencialmente igual ao Pai e, não obstante, feito homem, ao qual, — aceitando com audácia inaudita a velha expressão grega – chama logos, o único logos verdadeiro. Desde Santo Agostinho, a teologia católica encontra a explicação do nome de logos, no fato de o Filho ser gerado pelo Pai pela via do conhecimento; no Filho, como Verbo ou Palavra do Pai, expressa Este sua essência total e a plenitude de suas ideias.

4) Quarta parte: alguns sentidos e/ou significados do logos derivados de leggein
Logos, que pode derivar de legein (falar ou reunir). É possível que sua origem, derivada de reunir, recolher, tenha lhe dado o sentido, ou o significado, de ser uma combinação, uma associação, e/ou uma ordenação ou organização. Afinal, quais são características ou funções que geralmente se atribui ao logos? Pois, o objetivo da lógica é ordenar, organizar o que antes era disperso e confuso. Como dito acima, em Heráclito já se encontram quatro significados diferentes, mas inter-relacionados, que o termo logos tem na Filosofia posterior. A saber: Como Principio ou Lei Cósmica, ou divina. Sendo a racionalidade do real; isto é, o termo logos indicando que a realidade está ou é de acordo com a racionalidade. Com as leis que regem o raciocínio coerente. O espírito ou a alma do fogo, que para Heráclito, é o elemento (terra, ar, água, fogo) primeiro, primordial, do qual todos os outros derivam. Significando a razão ou o raciocínio ou a racionalidade humana cuja serventia é a de proporcionar a capacidade de entender a realidade.
Na sequência são expostos mais alguns dos significados que o termo abriga: Para Platão, logos é a definição ou uma sentença predicativa (ou frase que contém um adjetivo) que expressa, ou menciona, uma qualidade essencial de algo; ou seja, esse algo não poderia sê-lo se não ter essa qualidade. Em Aristóteles, logos é a sentença (ou a frase que contém uma afirmação ou uma negação sobre o objeto a que se refere) que pode ser verdadeira ou falsa e que expressa (através da fala ou escrita ou da pintura etc.) o pensamento sobre algo. Disso, aliás, é que surge a expressão: logos apophantikós = aquele que manifesta (que mostra, ou revela) algo.
Em Filosofia a Lógica é o estudo da Estrutura (ou do arcabouço e da natureza) e das bases de uma argumentação (ou dissertação, isto é, a defesa de um ponto de vista) considerada válida; principalmente, se tal argumentação é fruto de uma inferência dedutiva (ou deduzida) e acontece após ter seguido normas e procedimentos considerados verdadeiros e válidos. E, claro, após ter sido submetida a testes ou provas que constataram sua exatidão.
Aqui, percorre-se rapidamente a análise de alguns significados da racionalidade do real e o da lógica, onde: o pensamento lógico é aquele que segue determinados critérios, regras e/ou normas (tidas como válidas) para ser formulado e que, por isso, torna-se confiável e, em certa medida, com resultados previsíveis. Pensamentos oriundos dessa maneira de refletir também são chamados de racionais. De certo modo, a lógica pode ser considerada como um padrão que indica como deve ser o comportamento da razão, ou da racionalidade. Considerando o exposto no direcionamento das inferências dos itens acima, pode-se obter as teses de que não se pode pensar que há oposição de sentido entre esses termos, pois tanto os lógoi, os mýthoi podem ser portadores da verdade (aléthea). O logos, o termo tem uma conotação ontológica, e não exclusivamente lógica, na medida em que a mesma designação nominativa – logos – é tomada por algo empiricamente indefinido e inacessível. Na lógica, – lógica é um conceito derivado de logos, e pode ser comparado com a marcha coerente de pensamentos que obedecem aos critérios de ordem, organização, cronologia e congêneres.

sábado, 28 de maio de 2011

Ficha de Leitura Comentada - Metafísica - HEIDEGGER, M. Ser e Tempo

HEIDEGGER, M. Ser e Tempo - Parte II. 2. ed. Rio de Janeiro: Editora Vozes Ltda, 1990, p. 27 - 30. Curso de Filosofia. Disciplina de Metafísica. Professor Manuel Moreira da Silva. Acadêmico (a): Carlos Eduardo da Silva Faria, do Terceiro Ano de Filosofia. Finalidade: Avaliação parcial de Metafísica. Semestre II, 2010.

AUTOR
LEITOR
1- Embora nosso tempo se arrogue o progresso de afirmar novamente a “metafisica”, a questão aqui evocada caiu no esquecimento.
(p. 27)
A tradição filosófica, através da indeterminação do objeto, interdita qualquer esforço de proximidade em direção ao ser. É neste sentido que Heidegger denuncia o esquecimento da tradição em relação ao ser.

2- E, não obstante, nós nos consideramos dispensados dos esforços para desenvolver novamente uma...
(p. 27)
O desejo por determinar teórico e categoricamente aqueles que representariam os termos reais da verdade em torno do ser, significa: aquilo que é a “luta de gigantes em torno das essências”. Ir além da determinação ôntica do ser pensado.

3- No solo da arrancada grega para interpretar o ser, formou-se um dogma que não apenas declara supérflua a questão sobre o sentido do ser como lhe sanciona a falta.
(p. 27)
Dessa advertência, pode-se dizer que ao persistimos na procura pelo sentido do ser desde um modo de investigação metafísico, estaremos sempre em falta ou pecando, com a questão do seu sentido, já que, a abordagem da tradição metafísica sempre pensou o ente, mas nunca pensou o ser que possibilita o ente.

4- No início dessa investigação não se pode discutir em detalhes os preconceitos que, sempre de novo, plantam e alimentam a dispensa de um questionamento do ser (…) Ser é o conceito mais universal. A universalidade do ser, porém, não é a de gênero.
(p. 28)

Percebe-se que Heidegger inicia sua problematização, a partir de uma perspectiva de análise do conceito de ser, e assim o faz através do decorrer uma perspectiva histórica. Repara-se que é precisamente a questão do universal que impõe importância ao sentido do ser, para uma universalização de uma propriedade comum a todos os entes demanda um modo de designação que compreende o próprio modo de ser universal

5- Eles encontram suas raízes na própria ontologia antiga. Sta, por sua vez, pode ser interpretada de modo suficiente – quanto ao fundamento de onde brotaram os conceitos e quanto à adequação das justificativas propostas para as categorias e sua completude – esclarecendo-se e respondendo à questão do ser.
(p. 28)

Ontologia e metafísica, não se trata de considerá-los sinônimos, mas, sim, apenas em sentido semelhante. Heidegger faz menção à ontologia, como àquela que almeja a resposta à questão do ser. O aspecto primordial aqui é que a ontologia, na tradição filosófica anterior, almeja tal resposta à questão do ser, através de um modo de investigação metafísico. O projeto de superação da metafísica heideggeriana distingue esse sentido de ontologia, na medida em que apresenta como deve ser conduzida o modo de investigação do ser, o que não arroga para si as exigências, do que pode ser considerado verdadeiro ou falso (apofânticas) do modo de investigação metafísico.


6- Quando se diz, portanto: “ser” é o conceito mais universal, isso não pode significar que o conceito de ser seja o mais claro e que não necessite de qualquer discussão ulterior. Ao contrário, o conceito de “ser” é o mais obscuro.
(p. 29)

A dificuldade, parece objetivar-se nessa objetificação do ser. Ao analisar-se enquanto um ente a mais entre todos os entes obriga-se uma categoria universal insustentável. Enquanto um modo de investigação que necessite de fundamentação rigorosa e inabalável, a metafísica está sempre em falta com o sentido do ser.
7- De fato, o “ser” não pode ser concebido como um ente (...); o “ser” não pode ser determinado, acrescentando-lhe um ente. Não se pode derivar o ser no sentido de uma definição a partir de conceitos superiores nem explicá-los através de conceitos inferiores. (...) Daí pode-se apenas concluir que o “ser” não é um ente. Por isso o modo de determinação do ente, legítimo dentro de certos limites (...), não pode ser aplicado ao ser. A impossibilidade de se definir o ser não dispensa a questão de seu sentido, ao contrário, justamente por isso a exige.
(p. 29)

Heidegger no que no que se mostra em referencial à possibilidade do sentido do ser, ressalta-se que aí perfaz precisamente o seu esforço, na realização do seu projeto de superação da metafísica. Colocar a questão do ser, colocá-la no modo de preparação que possibilite um eventual horizonte para a compreensão e possível interpretação do ser”, através da analítica existencial.

Plano de Aula: O que é filosofia?


1) Identificação:
Universidade Estadual do Centro Oeste – Unicentro
Curso: Filosofia
Setor de Ciências Humanas, Letras e Artes
Disciplina: Estágio Supervisionado em Filosofia II
Docente: Evandro Bilibio
Discente: Carlos Eduardo da Silva Faria
Duração das atividades: 2 aulas
2) Tema: O que é Filosofia?
3) Objetivos:
  • Distinguir o pensamento filosófico do senso comum, estabelecendo relações com o seu cotidiano.
  • Compreender o conceito de filosofia e sua importância na história da humanidade.
4) Procedimentos:
4.1) Introdução:
Mobilização: iniciar as atividades dialogando com os estudantes, no sentido de registrar o que os alunos sabem sobre a filosofia. Neste primeiro momento é importante que o professor estimule a turma a participar e que registre as concepções dos alunos sobre o tema proposto. A seguir, anote quais as curiosidades que os estudantes possuem sobre o tema para discussão.
4.2) Desenvolvimento:
Aula expositiva através das questões levantadas pela turma, onde irão surgir várias concepções sobre o que seja Filosofia. É importante neste momento, que o professor faça um desafio, ou seja, é a criação de uma necessidade para que o educando, através de sua ação, busque o conhecimento e estabeleça uma relação com os que já possui.
Pauta metodológica: Questões à serem colocadas no quadro de giz para incentivar a turma sobre o tema
  • Dimensão filosófica: O que é filosofia? Existem várias maneiras de pensar a filosofia? Existe uma classificação para as formas de pensar?
  • Dimensão histórica: Quando surgiu a filosofia? Qual a importância da filosofia para a humanidade?
  • Dimensão social: Qual o papel da filosofia na sociedade brasileira, em minha comunidade, na escola?
  • Dimensão científica: Existe relação entre o pensamento filosófico e a ciência?
  • Passar o pensamento de Descartes na lousa para reflexão e discussão com os alunos.
4.3) Síntese Integradora:
Retomar ligeiramente os pontos principais dos conceitos de Filosofia apresentados nas aulas.
5) Resumo ou Esquematização dos conteúdos:
Em anexo roteiro das aulas.
6) Recursos Didáticos:
Data Show, livro didático, lousa e texto.
7) Avaliação:
A avaliação será realizada no decorrer das atividades, inicialmente observando o processo de formação de conceitos nos estudantes, analisando seus questionamentos e intervenções, procurando, através do diálogo, perceber se houve apropriação dos conteúdos propostos e uma mudança de postura frente aos problemas levantados, no que se refere à superação de idéias do senso comum para a dimensão filosófica. O professor acompanhará a leitura das produções dos estudantes, fazendo as intervenções necessárias, sugerindo leituras e a retomada de conteúdos, se necessário.
Referências Bibliográficas
COTRIN, G. Fundamentos da Filosofia: ser, saber e fazer. São Paulo: Saraiva, 1999.

Dados da Aula
O que o aluno poderá aprender com esta aula: Nesta atividade de introdução ao estudo da Filosofia os estudantes vão poder distinguir o pensamento filosófico do senso comum, estabelecendo relações com o seu cotidiano. Compreender o conceito de filosofia e sua importância na história da humanidade.

Estratégias e recursos das aulas
1. PRÁTICA SOCIAL INICIAL DO CONTEÚDO
Iniciar as atividades dialogando com os estudantes, no sentido de registrar o que os alunos sabem sobre a filosofia. Neste primeiro momento é importante que o professor estimule a turma a participar e que registre as concepções dos alunos sobre o tema proposto. A seguir, anote quais as curiosidades que os estudantes possuem sobre o tema para discussão?
2. PROBLEMATIZAÇÃO:
Diante das questões levantadas pela turma, irão surgir várias concepções sobre o que seja Filosofia. É importante neste momento, que o professor faça um desafio, ou seja, é a criação de uma necessidade para que o educando, através de sua ação, busque o conhecimento e estabeleça uma relação com os que já possui. Sugestões de questões que podem ser colocadas no quadro de giz para incentivar a turma sobre o tema:
  • Dimensão filosófica: O que é filosofia? Existem várias maneiras de pensar a filosofia? Existe uma classificação para as formas de pensar?
  • Dimensão histórica: Quando surgiu a filosofia? Qual a importância da filosofia para a humanidade?
  • Dimensão social: Qual o papel da filosofia na sociedade brasileira, em minha comunidade, na escola?
  • Dimensão científica: Existe relação entre o pensamento filosófico e a ciência?
3. INSTRUMENTALIZAÇÃO:
Passe este pensamento no quadro de giz:
“Há já algum tempo eu me apercebi de que, desde meus primeiros anos, recebera muitas falsas opiniões como verdadeiras, e de que aquilo que depois eu fundei em princípios tão mal assegurados não podia ser senão mui duvidoso e incerto, de modo que me era necessário tentar seriamente, uma vez em minha vida, desfazer-me de todas as opiniões a que até então dera crédito, e começar tudo novamente desde os fundamentos...” (DESCARTES apud COTRIN, 1999, p. 47)
Vamos discutir esse pensamento de Descartes:
  • Quem concorda com ele?
  • O que o levou a concordar ou discordar?
  • Porque esta angústia nos invade os pensamentos? Essa incerteza sobre o que é ou não certo?
  • A humanidade sempre teve a mesma forma de pensar?
  • Como evolui o pensamento?
  • Qual a relação do pensamento do senso comum com o filosófico?
Estas discussões certamente vão levar os estudantes a perceberem que todos nós, de certa forma, temos um princípio de filosofia em nossos pensamentos, mas nos falta o conhecimento para que possamos argumentar sobre nossa opinião de forma mais consistente. À medida que o ser humano passa a conhecer a evolução do pensamento do homem, suas principais idéias, correntes teóricas, a relação do pensamento com o momento histórico-cultural, vamos compreendendo a organização do mundo atual.
Precisamos refletir sobre nossas ideias:
Será que não somos carregados de preconceitos?
O nosso orgulho e vaidade nos deixa refletir sobre o que concebemos como certo ou errado?
A dúvida é importante?
Lembre-se de sempre solicitar aos estudantes que registrem em seus cadernos suas ideias, por mais banais que possam parecer, desde o início das atividades, como se fosse um diário, pois é apartir delas que ele perceberá o quanto mudou sua forma de pensar, quais os conteúdos mais significativos desta aula. É uma forma de se auto-avaliar, posteriormente.
Atividade de aprofundamento teórico:
Neste momento em que o aluno expressa a solução encontrada no problema inicial. Passaremos a elaboração teórica da síntese, isto é, da nova postura mental. Os estudantes deverão elaborar um texto dissertativo que expresse suas reflexões sobre o tema proposto.

4 PRÁTICA SOCIAL FINAL DO CONTEÚDO:
A questão do pensar filosoficamente é um tema que merece ser discutido e entendido por todos. É muito importante, neste momento, que cada indivíduo faça uma reflexão sincera e expresse suas idéias. Vamos pesquisar os provérbios, frases e ditos populares mais comuns e relacioná-los com o com os preconceitos existentes, ditos do senso comum e o conhecimento filosófico.
Pense:
O que podemos fazer para despertar a consciência crítica nas pessoas?
Como podemos levar a nossa comunidade perceber que temos muitas idéias equivocadas?
Vamos organizar cartazes fazendo nossas proposições?

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Relatório de aula de Estética: 18/05/11


Tema: O juízo de gosto em Kant

Professor: Evandro Barbosa

Acadêmico: Carlos Eduardo da Silva Faria

Universidade Estadual do Centro-Oeste – UNICENTRO – Guarapuaca/ Pr

Primeiramente recapitulou-se aula anterior, retomando as questões pertinentes, na Crítica da Faculdade de Julgar de Kant, entre outras se: Uma cor ou um som podem ser ditos belos em si mesmo? Nas palavras do filósofo: “poderíamos ver-nos obrigados a considerar as sensações de ambos [das cores e dos sons] não como mera impressão sensível, mas como o efeito de um julgamento da forma no jogo de muitas sensações”. 
Para Kant, existe um abismo nos aportes iniciais ou entre a liberdade (Crítica da Razão Prática) e a natureza (Crítica da Razão Pura), e cabe a faculdade do juízo fazer a união desses dois polos, ou seja, a transposição desse abismo, dizendo de outra forma, da faculdade cognitica (o intelecto) e da dimensão da sensibilidade, isso em relação aos sentimentos. Sentimentos estes, não tomados ou entendidos como simples emoções. Ao revés, na Crítica da faculdade do Juízo, o sentimento é investigado como sentimento estético, assim um sentimento de prazer e desprazer em relação aos objetos. Dessa forma, é um salto kantiano de uma mediação epistemológica para uma mediação estética reflexiva (sentimento), através da faculdade de julgar. O objetivo, então é buscar a unidade necessária dos domínios da razão.
Atentemos que Kant, reporta-se aos sentimentos agradáveis ou desgradáveis, não trata de nenhuma forma de sensações. Pois, as sensações [o gostar ou não gostar] de alguma coisa ou de algo tem seu caráter muito subjetivo, o que não comportaria à pretensão de uma universalidade. Os sentimentos se mostram mais impactantes às impressões em relação as representações da sensibilidade e, também melhores comunicáveis. A faculdade de julgar está ligada a questão estética, tem o poder de subssumir o particular ao universal. O campo de discussão estética somente ocorrerá no da representação.
Antes de entrarmos na conceituação do juízo de gosto, temos por necessidade nos ater do que seja uma definição kantiana de gosto: é a faculdade de ajuizamentos do belo, o que, porém é requerido para denominar um objeto tem a análise dos juízos de gosto descobrí-lo. Ou ainda, para melhor clarificação citamos o autor: “O gosto é a faculdade de julgar e de apreciar um objeto ou um modo de representação por intermédio de uma satisfação ou um desagrado, independentemente de qualquer interesse. Chama-se belo ao objeto de tal satisfação”. O gosto é a faculdade de julgar o belo.
Logo, para juízos de gosto afirma: que ele certifica a existência de um prazer ligado à representação de um dado objeto, ou seja, não se refere à própria natureza desse objeto, mas sim ao jogo das faculdades em sua apreensão. Esses juízos, embora possa se remeter a algum objeto em particular (real, obra de arte, uma paisagem natural, etc.), não fazem dizer a respeito desse objeto. No juízo de gosto não se reporta ao objeto como sua referência, como num juízo de conhecimento. Com efeito, refere-se pelo modo de como o sujeito sente-se e de como é afetado pela sensação causada pela representação desse objeto.
Os juízos de gosto caracterizam por: 1) Não é uma relação determinante; 2) Não há a possibilidade de dele se fazer conhecimento e 3) Existe a possibilidade de relações interfacultatórias, ou seja uma unidade para aquele abismo. E, ainda: 4) A qualidade desses juízos; 5) A pretensão de uma universalização e 6) A ideia de finalidade.
Nos juízos teleológicos abragem duas finalidades: a finalidade objetiva que tem a pretensão de universalidade – de necessidade que tem que ser válida e a finalidade subjetiva o que é um princípio reflexivo puro.
De acordo com Kant, para uma apropriação de uma investigação crítica a respeito do belo, podemos nos orientar pelo julgamento – pelo ato de julgar. Isso depende de uma questão: se existe algum valor universal que conceitue o belo e que reivindique que outras pessoas, a partir da minha apreciação de uma forma bela da natureza ou da arte, confirmem essa posição? Ora, pelo ato ou poder de julgar por ser compreendido à todos os indivíduos, é universal. Os sujeitos têm em comum um princípio de avaliação moral livre que determina a avaliação estética e, portanto, julga o belo como universal. A ideia de beleza têm a pretensão de universalização e existe uma exigência de direito e não uma constatação de fato [ideia de belo].
Para uma universalização do gosto –, é no sentimento desinteressado que se apresenta a possibilidade de uma universalidade sobre o julgamento do belo. Para esse intento, não é a razão ligada ao entendimento que garante essa universalidade, sim a imaginação ligada ao entendimento e ao sentimento de prazer ou seu contrário. Em resumo, a relação entre a imaginação e o entendimento que vai determinar seu juízo de gosto: tem-se o belo a faculdade de julgar.
O juízo estético sobre o belo encara, primeiramente, a consideração pela qualidade. Bem como, como vimos anteriormente, está intrinsecamente relacionado ao prazer ou desprazer que o objeto em questão imprime. Para melhor definição: se algo é belo ou não, referimos a representação pela faculdade da imaginação ao sujeito e o seu sentimento de prazer ou desprazer. O juízo de gosto é estético, não sendo, portanto, juízo de conhecimento ou juízo lógico. Por conseguinte, uma determinação subjetiva.
Mas, o que é o belo? Kant no contempla sobre o belo: “[...] É o que agrada universalmente, sem relação com qualquer conceito[...]”, característica relacionada com a universalidade e, também: “[...] O belo é o objeto de um julgamento de gosto desinteressado [...]”. Pode parecer um tanto estranho pressupor, na visão kantiana a existência de um sentido comum estético que determina, pelo sentimento – contudo de maneira universal – o que agrada ou desagrada. No belo, a beleza é a forma de finalidade de um objeto, na medida em que é percebida nesse objeto sem representação de nenhum fim.
Para a estética do belo, uma estética do sublime. Se para o sentimento do belo causa prazer, o sublime por sua vez, causa primeiramente desprazer, pressupondo uma noção de infinito – o sublime é uma apreensão de uma dimensão desproporcional às faculdades sensíveis ao homem. Tem uma relação com a grandeza e com as forças naturais. Para Kant o sublime não existe em nenhuma coisa da natureza, mas apenas no nosso espírito. Assim, o sublime agrada imediatamente pela oposição ao interesse dos sentidos.
Para distinção entre o belo e o sublime em suas configurações facultativas temos:
  • Belo = entendimento (esfera teórica - estrutura transcendental) + imaginação.
  • Sublime = razão (espaço prático - vontade) + imaginação.
Por outro viés, se distancia o belo do sublime:
1ª) Pelas diferenças das faculdades em jogo, assim apontamos: O desequilibrio do sublime. O belo usa o livre jogo da imaginação e entendimento. No sublime existe apenas uma simples concordância entre nação e a razão. A diferença entre o belo e o sublime não o acento, mas é uma diferença transcendental. A passagem de um para o outro significa, para a imaginação, que esta muda de parceiro facultatório. Citando o autor: “[...] A imaginação normalmente limitada a uma função espaciotemporal de objetividade, está orientada para o infinito […] A razão, normalmente determinação da lei, produz um conceito do indeterminado indubitavelmente singular”.
2ª) Diferença de estatuto desse jogo das faculdades – que não está mais unificado no sublime: O belo agrada imediatamente – a imaginação brinca. O sublime rompe o encanto, tudo é grave – não tem atrativos, nem ornamentos.
3ª) Diferença em função da imaginação: a diferença no modo de trabalho da imaginação – enquanto no juízo de gosto a imaginação, embora ativa, permanece antes estática, ela é violentamente posta em movimento no sublime.
Para a finalidade e contrafinalidade do sublime podem ser caracterizadas por três, por assim dizer, pontos: 1) Contrário a toda a finalidade para a nossa faculdade de julgar onde:
  • No sublime objeto adequoa a faculdade de julgar. Para o belo a percepção de beleza produz da natureza um sentimento de prazer devido à adequação particular desse objeto às faculdades.
2) Inadequação à nossa faculdade de apresentação: o sublime é uma grandeza que só é comparável a si mesmo.
3) O sublime é aquilo que faz violência à nossa imaginação – potências da natureza. Assim, são qualificados de sublime todos os objetos da natureza que despertam forças da alma, revelando em nós um poder de resistência de uma outra espécie, poder supra-sensível que nos dá a coragem de nos medir com a aparente onipotência da natureza.
Dessa maneira, a finalidade do juízo de gosto é o belo, e ele podem ser a priori. Para que se possa ter uma compreensão do que é sublime, em suma, trás em si uma exigência que se ultrapasse a valoração pelos sentidos, pois estes não são nem de longe suficientes.