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quarta-feira, 4 de maio de 2011

Modelo de Resenha Crítica

UNIVERSIDADE ESTADUAL DO CENTRO-OESTE - UNICENTRO
Professor: Darlan Faccin Weide
Acadêmico: Carlos Eduardo da Silva Faria
Resenha Crítica

1) Referências:
demo, P. Pesquisa: princípio científico e educativo. 10. ed. São Paulo: Cortez, 2003.

2) Credenciais do autor:
Pedro Demo possui graduação em Filosofia (Bom Jesus 1963) e doutorado em Sociologia, pela Universidade Des Saarlandes (Alemanha 1971). Professor titular da Universidade de Brasília, Departamento de Sociologia. Pós-doutorado na UCLA/ Los Angeles (1999-2000). Tem experiência na área de Política Social, com ênfase em Sociologia da Educação e Pobreza. Trabalho em Metodologia Científica, no contexto da Teoria Crítica e Pesquisa Qualitativa. Pesquisa principalmente, a questão da aprendizagem nas escolas públicas, por conta dos desafios da cidadania popular.

3) Resultados introdutórios do autor: A Pesquisa como Instrumento de Ensino
O livro em questão, trata em linhas gerais, da importância da pesquisa científica ultrapassar a sofisticação acadêmica e deixar de ser exclusividade a cientistas qualificados, para ser utilizada como instrumento de ensino, principalmente na universidade. Se isto acontecer, coloca o autor, o aluno substitui sua posição de ouvinte e copiador por uma postura ativa que o permitirá produzir seus conhecimentos de forma crítica. A partir desta tese central, Demo (2003) apresenta como a pesquisa pode tornar-se um princípio científico e educativo na prática docente, enfatizando, temas que se referem: à desmistificação do conceito de pesquisa, ao horizonte da pesquisa, à questão curricular, à questão teoria e prática, às limitações do apenas ensinar e aprender, aos vazios da escola formal, à necessidade de se reconstruir uma prática docente, entre outros.

4) Descrição sintetizada dos conteúdos dos capítulos:
4.1) No capítulo do livro (Pesquisar – o que é?), o autor evidencia a importância da pesquisa em todo processo educativo, como princípio educativo, tornando-se assim, um instrumento emancipatório. Para isto, aponta para a superação da dicotomia entre ensino e pesquisa, “quem ensina carece pesquisar; quem pesquisa carece ensinar. Professor que apenas ensina jamais o foi. Pesquisador que só pesquisa é elitista explorador, privilegiado e acomodado” (DEMO, 2003, p.14). A educação não pode recair na condição de instrução, transmissão, reprodução, mas deve aparecer como ambiente de instrução criativa através da pesquisa que contém o seu valor educativo, para além da descoberta científica.
Esta pesquisa, entendida como a capacidade de elaboração própria sintetiza múltiplos horizontes. Entre os horizontes apresentados, estão o da pesquisa empírica, e o da pesquisa não-empírica de se olhar à realidade. Sendo o primeiro, apresentado como dados mensuráveis, observáveis, visíveis e o segundo provocando o surgimento de metodologias alternativas, qualitativas, sem dicotomizar a quantidade e qualidade.
Além destes horizontes, apresenta a importância da pesquisa teórica que ajuda na captação do real, “a realidade que se quer captar é a mesma para todos, mas para captar é preciso concepção teórica dela...” Demo (2003, p.22). Também é importante a pesquisa metodológica, pois o método não é somente algo que se aprende, mas que também se cria. O método é importante para colocar em discussão as concepções de ciência. Nesse sentido, esclarece que “a pesquisa metodológica é um dos horizontes estratégicos da pesquisa como tal, que não se restringe a decorar estatística com seus testes áridos, mas alcança a capacidade de discutir criativamente caminhos alternativos para a ciência e mesmo criá-los” Demo (2003, p.25).
Por fim, apresenta o horizonte da pesquisa prática, segundo o autor a pesquisa e a prática constituem um todo só. Este último tipo de pesquisa apresentada não acontece sem a teoria, o método e a empiria e sempre puxa a ciência para o cotidiano. Científico, para ele é aquilo que é discutido na teoria e na prática.
Ainda no primeiro capítulo, o autor, trata de mais dois temas: a pesquisa como descoberta e criação e a pesquisa como diálogo. Então, em metodologia científica, descobrir e criar não são sinônimos. Descobrir, se refere mais a uma postura de ciências naturais, para ele, o positivismo e o estruturalismo marcaram tal postura compreendo ciências como descobertas das relações necessárias e dadas na realidade. A dimensão criar têm seu espaço na pesquisa dialética histórico-estrutural, porém, tanto em uma como em outra, descreve que pesquisar é condição essencial do descobrir e do criar e para pesquisar é preciso primeiro questionar. Este questionamento deve partir de uma atitude processual que corresponde ao desafio que a sociedade coloca a ciência.
Dessa forma a pesquisa tem que ser vista como um processo social, que faz parte da vida de professores e alunos. Aponta ainda, que a sociedade espera que a universidade contribua com a descoberta e com a criação e que só pode ser denominada de universidade aquelas instituições que buscam sua principal razão de existência na pesquisa, “na ciência o princípio é a pesquisa” Demo (2003, p.37).
O diálogo inteligente com a realidade poderia ser para uma das definições de pesquisa, porque a considera princípio científico e educativo, pois, a pesquisa deve sempre estar num contexto comunicativo para que se difunda o conhecimento produzido. Demo (2003, p.37) o autor cita: “Quem não pesquisa apenas reproduz ou apenas escuta. Quem pesquisa é capaz de produzir instrumentos e procedimentos de comunicação. Quem não pesquisa assiste à comunicação dos outros”.
Neste contexto é ressaltado que este diálogo, não é neutro e sim um diálogo transformador, político, de construção e de criação. Dialogar com a sociedade de modo crítico e criativo faz da pesquisa condição de vida progresso e cidadania.

4.2) No segundo capítulo, Pedro Demo aponta a questão da pesquisa como princípio científico, que deve ser aplicada ao processo de formação acadêmica na universidade. Para o autor a alternativa da pesquisa pode recolocar a universidade no seio das discussões sociais. Para explicar melhor esta posição, coloca a noção de currículo corrente nas propostas de ensino e aprendizagem.
Fica ainda sugerido neste capítulo, que muitas universidades hoje apenas trabalham com o mero ensinar e o mero aprender, sendo o professor aquele que transmite o conhecimento e o aluno aquele que copia. Porém esta situação precisa mudar a noção de professor, descreve o autor, precisa ser revista. O professor atual, a partir de uma proposta emancipadora, tem que ser pesquisador, socializador de conhecimentos e motivador da construção do novo pesquisador no aluno.
Assim, sem pesquisa não há ensino, pois “a ausência de pesquisa degrada o ensino a patamares típicos da reprodução imitativa” (DEMO, 2003, p.51). Todavia, sem ensino, também não há pesquisa. A socialização do saber é parte integrante da construção do conhecimento. É preciso que o professor incentive o aluno à elaboração própria incentivando-o e criando técnicas pedagógicas para que isto aconteça. Com isto, o aluno vai produzir e levar para vida o que cria por si mesmo. Assim, o professor está a serviço da emancipação do aluno.
Ainda no segundo capítulo a questão teoria e prática. O autor acredita que ambas (teoria e prática) estão no mesmo patamar de importância, pois nada é mais essencial para uma teoria do que a prática e vice-versa. Com isto, acredita que se devem reorganizar os currículos a fim das universidades evidenciarem a mesma importância a prática e a teoria. Elaborar, estudar, defender um tema, são itens necessários para o desenvolvimento de uma pesquisa e devem ser incentivados de forma lenta e progressiva. Na universidade, coloca Demo, o incentivo para a pesquisa deve começar no primeiro semestre. Os universitários devem aprender a aprender, para posteriormente, dar conta de um tema. O professor tem seu lugar de pesquisador e orientador, livrando-se da postura do simples ensino. Enfatiza ainda que, a avaliação deve acontecer através da motivação para a pesquisa, em ambiente próprio, com liberdade acadêmica, na qual o estudante enfrenta o desafio de produzir uma elaboração. Este tipo de avaliação é bem diferente das provas e testes que forjam uma situação artificial, caricaturada, em que o aluno coloca o que decorou ou leem suas colas.

4.3) O terceiro capítulo discute a pesquisa como princípio educativo, segundo o qual, através da pesquisa se motiva a emancipação do sujeito, sendo definida como emancipação: “o processo histórico de conquista e exercício da qualidade de ator consciente e produtivo” (DEMO, 2003, p.78). Este processo deve ser incentivado desde a mais tenra idade a fim de se construir nova personalidade, novo sujeito social, nova cidadania de base.
Para a emancipação, cabe menos o simples ensinar e mais a motivação para a pesquisa, como produção própria. As aulas devem deixar de ser um ambiente meramente transmissivo e imitativo. O professor deve deixar de ser aluno e passar a ser o mestre compromissado com a pesquisa. Com esta nova postura, o professor passa a elaborar suas aulas, a criar seus materiais, a fim de incentivar a elaboração própria do aluno, motivando o aluno a dominar a escrita e a leitura como instrumento formal e político do processo de formação do sujeito emancipado. A aula passa de um espaço exclusivo de transmissão formal do conhecimento, para um espaço de informação, de introdução de temas e unidade, onde não existe espaço para “decoreba” e para provas. Assim, descreve Demo (2003, p. 88), “o professor vale pelo que instrui – a criança precisa também literalmente aprender -mas sobretudo pelo que motiva a emancipação social, técnica e politicamente”.
É preciso reinventar a pesquisa na escola, através de uma autocrítica sobre seu papel na sociedade, pois se considerarmos a instituição escolar apenas pós suas aulas, provas, colas e “decoreba” ela poderia ser substituída pela televisão um instrumento de ensinar e aprender, segundo o autor, muito mais eficiente do que a escola.

4.4) No quarto e último capítulo, Demo (2003) descreve a prática de pesquisa e educação, com a experiência do Instituto Superior de Educação do Pará (ISEP). Onde apresenta uma didática da pesquisa e da prática, considerada pelo autor como importante para uma nova visão de formação, diferente da tradicional e voltada para a criação própria. Apresenta três pontos chaves desta formação:
  1. União entre ensino e prática, ensino e pesquisa e extensão intrínseca ao trabalho;
  2. Elaboração própria no critério de avaliação;
  3. Mudança no contexto da qualidade formal e política, sem aula e sem prova.
Nesta faculdade o professor é um orientador e o aluno, o novo mestre, é aquele que produz, investiga, cria, desenvolvendo, desde o primeiro ano, o domínio teórico, a versatilidade metodológica, a capacidade de aplicação prática, o treino no manuseio dos dados. Evidenciando a experiência desta faculdade, nos demonstra como é possível colocar em prática uma concepção de ensino e aprendizagem diferente daquela em que estamos acostumados.

5) Apreciação:
A pesquisa como instrumento de ensino é debatida de forma clara e explícita no livro de Demo (2003). É preciso tomar o exemplo dado pelo autor de uma faculdade voltada para pesquisa e aplicarmos em nossas instituições, a fim de torná-las ambientes de fecundas produções e aprendizado.
Precisamos observar como os cursos de formação, podem exercer a pesquisa como um meio de ensino que permita a união do teorizar e o fazer, levando o aluno a observar, a refletir, a dialogar com a realidade e agir sobre ela. Assim, a pesquisa como estrutura de um programa de formação, será possível redirecionar a ação formadora e a prática profissional.
Este autor tem procurado desmistificar a pesquisa, tomando-a como base no processo de formação educativa. É sob esse prisma que precisamos incluir a pesquisa: como o elemento articulador entre a teoria e a prática, como a forma capaz de fazer com que o pensar e o fazer se encontrem em um movimento contínuo.
E a pesquisa é preciso, também vê-la como base não somente do trabalho científico, mas também como processo de formação educativa. A especificidade do aprender com pesquisa, articulando perspectiva histórica e processo de conhecimento, pressupõem ao mesmo tempo avanço da ciência e confirmação de prática social, além disso, supõe que os sujeitos (os professores) que assumem desenvolver os aspectos teóricos e instrumental técnico que asseguram essa prática, serão capazes de discutir alternativas explicativas da realidade, tornando-se construtores de conhecimento novo e, assim, através do questionamento produtivo na teoria e na prática, atingirão a pesquisa também como princípio educativo e serão capazes de motivar o aluno a pesquisar.
Em outro contexto, temos que enfatizar, não como critica a obra, mas apenas como ênfase, que em nosso atual estágio acadêmico, nos têm oportunizado as condições de aprendizado via pesquisas e trabalhos científicos, bem como, a importância da leitura e da pesquisa instruída pelos nossos mestres.