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sexta-feira, 10 de junho de 2011

Resumo: A revolução copernicana kantiana

na
Prefácio à 2ª edição da Crítica da Razão Pura (1787), pp. B XIV a BXVIII . In: Kant, Immanuel ([1871] 1994), Crítica da Razão Pura, Lisboa: F.C.G

A razão, tendo por um lado os seus princípios, únicos a poderem dar aos fenômenos concordantes a autoridade de leis e, por outro, a experimentação, que imaginou segundo esses princípios, deve ir ao encontro da natureza, para ser por esta ensinada, é certo, mas não na qualidade de aluno que aceita tudo o que o mestre afirma, antes na de juiz investido nas suas funções, que obriga as testemunhas a responder aos requisitos que lhes apresenta”. (Kant, 1994, B XIII)

A solução de Kant, para a dicotomia entre racionalismo e empirismo, sobre a possibilidade do conhecimento efetivo e absoluto, afirmado pelos racionalistas e negado pelos empiristas é estudada em seus pormenores por Kant. A solução para esta oposição entre as duas doutrinas filosóficas é chamada pelo filósofo, de “revolução copernicana da filosofia”, numa referência à revolução paradigmática feita por Copérnico na astronomia, que mudou nossa visão do mundo e de sua posição no universo.
De certo modo, Kant tenta provar que tanto os inatistas (os racionalistas, que consideram certas ideias inatas na alma), quanto os empiristas estavam errados. Ou seja, os conteúdos do conhecimento não são inatos, nem são adquiridos pela experiência. Kant postula, que a razão é inata, mas é uma estrutura vazia e sem conteúdo, que não depende da experiência para existir. A razão fornece a forma do conhecimento e a matéria é fornecida pelo conhecimento. Desta maneira, a estrutura da razão é inata e universal, enquanto os conteúdos são empíricos, obtidos pela experiência. Baseado nestes pressupostos, Kant afirma, que o conhecimento é racional e verdadeiro.
Todavia, segundo o filósofo, não se pode conhecer a realidade das coisas e do mundo, o que ele chama de noumeno, “a coisa em si”. A razão humana, só pode conhecer aquilo que recebe as formas (cor, tamanho, etc.) e as categorias (elementos que organizam o conhecimento) do sujeito do conhecimento, isto é, de cada um de nós. A realidade, portanto, não está nas coisas (já que não as pode conhecer em última análise), mas em nós. Assim, vê-se o mundo “filtrado e processado” pela nossa razão, depois que as percepções passaram pelas categorias.