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quinta-feira, 26 de maio de 2011

Relatório de aula de Estética: 18/05/11


Tema: O juízo de gosto em Kant

Professor: Evandro Barbosa

Acadêmico: Carlos Eduardo da Silva Faria

Universidade Estadual do Centro-Oeste – UNICENTRO – Guarapuaca/ Pr

Primeiramente recapitulou-se aula anterior, retomando as questões pertinentes, na Crítica da Faculdade de Julgar de Kant, entre outras se: Uma cor ou um som podem ser ditos belos em si mesmo? Nas palavras do filósofo: “poderíamos ver-nos obrigados a considerar as sensações de ambos [das cores e dos sons] não como mera impressão sensível, mas como o efeito de um julgamento da forma no jogo de muitas sensações”. 
Para Kant, existe um abismo nos aportes iniciais ou entre a liberdade (Crítica da Razão Prática) e a natureza (Crítica da Razão Pura), e cabe a faculdade do juízo fazer a união desses dois polos, ou seja, a transposição desse abismo, dizendo de outra forma, da faculdade cognitica (o intelecto) e da dimensão da sensibilidade, isso em relação aos sentimentos. Sentimentos estes, não tomados ou entendidos como simples emoções. Ao revés, na Crítica da faculdade do Juízo, o sentimento é investigado como sentimento estético, assim um sentimento de prazer e desprazer em relação aos objetos. Dessa forma, é um salto kantiano de uma mediação epistemológica para uma mediação estética reflexiva (sentimento), através da faculdade de julgar. O objetivo, então é buscar a unidade necessária dos domínios da razão.
Atentemos que Kant, reporta-se aos sentimentos agradáveis ou desgradáveis, não trata de nenhuma forma de sensações. Pois, as sensações [o gostar ou não gostar] de alguma coisa ou de algo tem seu caráter muito subjetivo, o que não comportaria à pretensão de uma universalidade. Os sentimentos se mostram mais impactantes às impressões em relação as representações da sensibilidade e, também melhores comunicáveis. A faculdade de julgar está ligada a questão estética, tem o poder de subssumir o particular ao universal. O campo de discussão estética somente ocorrerá no da representação.
Antes de entrarmos na conceituação do juízo de gosto, temos por necessidade nos ater do que seja uma definição kantiana de gosto: é a faculdade de ajuizamentos do belo, o que, porém é requerido para denominar um objeto tem a análise dos juízos de gosto descobrí-lo. Ou ainda, para melhor clarificação citamos o autor: “O gosto é a faculdade de julgar e de apreciar um objeto ou um modo de representação por intermédio de uma satisfação ou um desagrado, independentemente de qualquer interesse. Chama-se belo ao objeto de tal satisfação”. O gosto é a faculdade de julgar o belo.
Logo, para juízos de gosto afirma: que ele certifica a existência de um prazer ligado à representação de um dado objeto, ou seja, não se refere à própria natureza desse objeto, mas sim ao jogo das faculdades em sua apreensão. Esses juízos, embora possa se remeter a algum objeto em particular (real, obra de arte, uma paisagem natural, etc.), não fazem dizer a respeito desse objeto. No juízo de gosto não se reporta ao objeto como sua referência, como num juízo de conhecimento. Com efeito, refere-se pelo modo de como o sujeito sente-se e de como é afetado pela sensação causada pela representação desse objeto.
Os juízos de gosto caracterizam por: 1) Não é uma relação determinante; 2) Não há a possibilidade de dele se fazer conhecimento e 3) Existe a possibilidade de relações interfacultatórias, ou seja uma unidade para aquele abismo. E, ainda: 4) A qualidade desses juízos; 5) A pretensão de uma universalização e 6) A ideia de finalidade.
Nos juízos teleológicos abragem duas finalidades: a finalidade objetiva que tem a pretensão de universalidade – de necessidade que tem que ser válida e a finalidade subjetiva o que é um princípio reflexivo puro.
De acordo com Kant, para uma apropriação de uma investigação crítica a respeito do belo, podemos nos orientar pelo julgamento – pelo ato de julgar. Isso depende de uma questão: se existe algum valor universal que conceitue o belo e que reivindique que outras pessoas, a partir da minha apreciação de uma forma bela da natureza ou da arte, confirmem essa posição? Ora, pelo ato ou poder de julgar por ser compreendido à todos os indivíduos, é universal. Os sujeitos têm em comum um princípio de avaliação moral livre que determina a avaliação estética e, portanto, julga o belo como universal. A ideia de beleza têm a pretensão de universalização e existe uma exigência de direito e não uma constatação de fato [ideia de belo].
Para uma universalização do gosto –, é no sentimento desinteressado que se apresenta a possibilidade de uma universalidade sobre o julgamento do belo. Para esse intento, não é a razão ligada ao entendimento que garante essa universalidade, sim a imaginação ligada ao entendimento e ao sentimento de prazer ou seu contrário. Em resumo, a relação entre a imaginação e o entendimento que vai determinar seu juízo de gosto: tem-se o belo a faculdade de julgar.
O juízo estético sobre o belo encara, primeiramente, a consideração pela qualidade. Bem como, como vimos anteriormente, está intrinsecamente relacionado ao prazer ou desprazer que o objeto em questão imprime. Para melhor definição: se algo é belo ou não, referimos a representação pela faculdade da imaginação ao sujeito e o seu sentimento de prazer ou desprazer. O juízo de gosto é estético, não sendo, portanto, juízo de conhecimento ou juízo lógico. Por conseguinte, uma determinação subjetiva.
Mas, o que é o belo? Kant no contempla sobre o belo: “[...] É o que agrada universalmente, sem relação com qualquer conceito[...]”, característica relacionada com a universalidade e, também: “[...] O belo é o objeto de um julgamento de gosto desinteressado [...]”. Pode parecer um tanto estranho pressupor, na visão kantiana a existência de um sentido comum estético que determina, pelo sentimento – contudo de maneira universal – o que agrada ou desagrada. No belo, a beleza é a forma de finalidade de um objeto, na medida em que é percebida nesse objeto sem representação de nenhum fim.
Para a estética do belo, uma estética do sublime. Se para o sentimento do belo causa prazer, o sublime por sua vez, causa primeiramente desprazer, pressupondo uma noção de infinito – o sublime é uma apreensão de uma dimensão desproporcional às faculdades sensíveis ao homem. Tem uma relação com a grandeza e com as forças naturais. Para Kant o sublime não existe em nenhuma coisa da natureza, mas apenas no nosso espírito. Assim, o sublime agrada imediatamente pela oposição ao interesse dos sentidos.
Para distinção entre o belo e o sublime em suas configurações facultativas temos:
  • Belo = entendimento (esfera teórica - estrutura transcendental) + imaginação.
  • Sublime = razão (espaço prático - vontade) + imaginação.
Por outro viés, se distancia o belo do sublime:
1ª) Pelas diferenças das faculdades em jogo, assim apontamos: O desequilibrio do sublime. O belo usa o livre jogo da imaginação e entendimento. No sublime existe apenas uma simples concordância entre nação e a razão. A diferença entre o belo e o sublime não o acento, mas é uma diferença transcendental. A passagem de um para o outro significa, para a imaginação, que esta muda de parceiro facultatório. Citando o autor: “[...] A imaginação normalmente limitada a uma função espaciotemporal de objetividade, está orientada para o infinito […] A razão, normalmente determinação da lei, produz um conceito do indeterminado indubitavelmente singular”.
2ª) Diferença de estatuto desse jogo das faculdades – que não está mais unificado no sublime: O belo agrada imediatamente – a imaginação brinca. O sublime rompe o encanto, tudo é grave – não tem atrativos, nem ornamentos.
3ª) Diferença em função da imaginação: a diferença no modo de trabalho da imaginação – enquanto no juízo de gosto a imaginação, embora ativa, permanece antes estática, ela é violentamente posta em movimento no sublime.
Para a finalidade e contrafinalidade do sublime podem ser caracterizadas por três, por assim dizer, pontos: 1) Contrário a toda a finalidade para a nossa faculdade de julgar onde:
  • No sublime objeto adequoa a faculdade de julgar. Para o belo a percepção de beleza produz da natureza um sentimento de prazer devido à adequação particular desse objeto às faculdades.
2) Inadequação à nossa faculdade de apresentação: o sublime é uma grandeza que só é comparável a si mesmo.
3) O sublime é aquilo que faz violência à nossa imaginação – potências da natureza. Assim, são qualificados de sublime todos os objetos da natureza que despertam forças da alma, revelando em nós um poder de resistência de uma outra espécie, poder supra-sensível que nos dá a coragem de nos medir com a aparente onipotência da natureza.
Dessa maneira, a finalidade do juízo de gosto é o belo, e ele podem ser a priori. Para que se possa ter uma compreensão do que é sublime, em suma, trás em si uma exigência que se ultrapasse a valoração pelos sentidos, pois estes não são nem de longe suficientes.