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quinta-feira, 19 de maio de 2011

ENSAIO: ESTUDO DIRIGIDO E PROVOCAÇÕES FILOSÓFICAS


Acadêmico: Carlos Eduardo da Silva Faria
Prof. Ms. Claudio César de Andrade
Disciplina: Tópicos Especiais - Filosofia Política
Universidade Estadual do Centro-Oeste – UNICENTRO

1) UMA GEOGRAFIA DA DIFERENÇA.
  1. Deleuze entende que filosofar é produzir conceitos. Para ele, filosofar é criar um novo pensamento, considerando filósofos passíveis de entrar em relação e daí resultar em uma nova configuração. No entendimento deste autor, estamos acomodados e etiquetados em pensar o pensamento privilegiando filósofos que fazem apologia à representação e à identidade. Diferentemente do convencional apela para a diferença, para o pensamento 'sem imagem', para o plural. Qual a sua opinião acerca deste direcionamento? Por quê?
  2. Deleuze enfrenta a resistência da filosofia pura e defende para uma melhor compreensão do pensamento,a utilização de domínios exteriores à filosofia, pois para ele o pensamento não é exclusividade da filosofia. Assim sendo, destaca outros saberes como, por exemplo, a literatura e arte. Qual a sua opinião acerca deste direcionamento? Por quê?
  3. Deleuze confere uma importância sem igual aos signos e a possibilidade de que os sentidos nos ajudem a transcender. Desta forma, entende Deleuze poderemos encontrar o que ainda não foi encontrado, ou seja, a diferença última e absoluta. Qual a sua opinião acerca deste direcionamento? Por quê?
No meu parecer, fazendo aquela interpretação sem imagem, mas com comunicação com o filósofo, Deleuze apresenta a Filosofia como uma atividade do pensamento que consiste em criar conceitos. Para mobilizar esta definição podemos, em certa medida, partir de dois aspectos: no primeiro que ela a Filosofia pode ser tomada como uma ação, uma atividade – apresentada como um ato, ato do pensamento. Para o ato de ensinar e aprender filosofia, isso é fator preponderante, e por não dizer, determinante, pois para sermos fiéis a esse tipo de experiência de pensamento, não basta que ensinemos seu produto, mas é essencial que façamos a própria experiência.
No segundo aspecto, Deleuze atribui à Filosofia uma especificidade que só ela tem: a de produzir conceitos. Já não bastava, produzir uma Filosofia, um filosofar a partir de representações. Estas, dominantes no pensamento ocidental desde Platão, tinha-se que caminhar fora dos trilhos das representações, o conceito não tinha nada a ver com as representação mental e definições.
Assim, para o filósofo Deleuze, a Filosofia é um incessante exercício de pensamento que não cessa, que não paralisa. É um tipo de pensamento que se articula em torno do problemático, em torno de problemas que não se resolvem de forma direta, imediata e definitiva. O conceito, para eles, não é uma definição. Deleuze, ressalta a necessidade caminhando para o novo, uma nova configuração, ele cria pensamento com um instrumento específico o conceito.
Partindo, então, que a ideia de Deleuze a Filosofia, é produzir – é criar pensamento, assim como, as outras fontes do saber, científicas ou não. Mas, se aponta ele, que o pensamento não é para os privilegiados filósofos, que cientistas e artistas, são sim, também, pensadores isso não quer dizer que Deleuze assimile os diferentes domínios de pensamento. A distinção das formas de criação que caracterizam os vários saberes está, se bem entendi, na diferença constitutiva do saber filosófico: enquanto a ciência cria funções e a arte cria agregados sensíveis, a Filosofia cria conceitos. Dessa maneira, o que interessa e o conceito – o qual Deleuze, como dito em aula, comporta duas, por assim dizer, dimensões, as do percepto e do afeto. A primeira comportando ao conjunto de sensações e de relações, que não são percepções; e os afetos (seguidamente) não são sentimentos, mas esses [(constantes movimentos) devires] o vir-a-ser.
Assim, a relação entre criação de conceitos e tradição filosófica, como a realiza Deleuze, consiste em erguer-se, emergir o modelo, ou ainda, este processo do ato do pensamento é tornar acessível, uma construção de um espaço ideal, a partir do pensamento de determinados filósofos que são passíveis de inter-relacionamento, ou seja, esse criar, esse espaço ideal como modo de filosofar que vise o pluralista, uma filosofia – um pensamento sem imagem, o criar algo novo, um pensamento novo. O espaço do pensamento sem imagem é o espaço da diferença; do contrapor-se. Para salientar, essa nova configuração do pensar livre, sem amarras ou dogmatismos, atinge-se, talvez, como fiz neste trecho do meu texto, uma interpretação sem imagem, mas com comunicação com o pensamento filosófico do autor
No que concerne a importância que Deleuze sem precedentes aos signos, creio que temos que enfatizar, antes, que filosofar não é refletir, não é contemplar (como os antigos diziam), é antes de tudo criar. Mas, isso somente se dá, esse processo somente, também, passa a existir, quando somos tomados, afetados pela decifração dos signos, após interpretá-los. Com isso, não provocaremos um pensar novo, uma nova maneira de pensar, uma nova maneira de escrever, de interpretar, sem fazermos uma retomada, uma virada, uma nova configuração, um pensar de outra forma, que mude, que desfaça os ideais, os modelos, do pronto, do acabado, temos, sim, na visão deleuziana, não imitar, não fazer igual, pois aquele devir é criar. É levar, fazer o uso do pensamento, no próprio pensamento, no próprio pensar. É causar o caos, é levar o pensamento para longe, para fora dos crivos costumeiros da linguagem, é levar o pensamento ao delírio que somente a literatura proporciona.
Dessa, forma não cabe mais a Filosofia dos moldes dos filósofos antigos, como Aristóteles, que concedendo-a como a ciência das causas primeiras e dos primeiros princípios, a Filosofia, agora, é uma arte, ou melhor, uma arte que cria conceitos, é como uma máquina uma máquina de produzir conceitos. Diante disso, o aprender está diretamente e essencialmente, ligado aos Signos, então, esse aprender somente passa a ter sentido, a ter conexão, quando existe um encontro com algo que nos força a pensar, em outras palavras, quando estamos em busca da Verdade e do Signo.

2) FOUCAULT DO SÉCULO 21.
  • a) Foucault introduz já nos anos 60 uma filosofia diferente da tradição filosófica ocidental. Formulando conceitos próprios e descortinando novos objetos e abordagens (as vezes subterrâneas), enfrenta problemas singulares e particulares e evidentemente assumi uma nova racionalidade, colocando em cheque conceitos supra-históricos, como “o” homem e “a” verdade. Sobretudo no entre um conceito tradicional de razão e o seu outro. Assim sendo, Foucalt através de uma filosofia ímpar toca em solos e conceitos que foram considerados legítimos em determinada época, além de querer saber o porquê disto. Então, qual sua opinião acerca deste posicionamento filosófico? Por quê?
  • b) Em algumas de suas obras, Foucalt estabelece uma relação diferente com o poder. Ao invés de um poder pratico, mensurável e estrutural, opta por uma analise acerca de um poder invisível, solto, rarefeito. Este novo sentido de pensar e interpretar o poder, fora do poder empírico, é tão poder quanto o poder invisível. Então, diante deste direcionamento foucaultiano, qual sua opinião e por quê?
Começaríamos nosso recorte, dizendo de Foucalt, em sua doutrina filosófica, formula conceitos que se contrapõe aos estatutos, por assim dizer, do convencional para assuntos tidos como incólumes e de caráter historicamente e filosoficamente pré-estabelecidos, por filósofos e em épocas ilustres como: o homem, a verdade, o conhecimento. Conceitos estes até, então, didaticamente indiscutíveis. Entendemos que Michel Foucault, em sua abordagem sobre verdade e conhecimento, por exemplo, parte ele, da não existência de uma relação necessária entre o conhecimento e o que se quer conhecer ou das coisas a conhecer, em outras palavras, saber a respeito de algo, não quer dizer, que seja próprio de sua essência.
Prosseguindo nessa linha, podemos inferir que o conhecimento, logo, não faz parte da natureza humana, não faz parte da sua essência, o conhecimento como quer ele, então, é inventado – e, ainda, que o conhecimento, não fazendo parte da natureza humana, não pressupõe nenhuma aspecto afetivo ou de semelhança, com as coisas, o conhecimento tem mais haver, com as relações de poder e de a dominação. Se quisermos saber, [no dito Foucaultiano], o que o conhecimento, teremos que nos aproximar dos políticos, sim, dos políticos, haja vista, que a política pressupõe entrechoques de poder e é a partir da política que se constrói o direito. Sendo o conhecimento, nada mais do que uma luta ou um processo de luta. Em Foucault, ao analisarmos o que diz sobre o tema da verdade, um dos tabus históricos, não somente filósoficos, encontra-se a verdade assim como o conhecimento, também ela como algo inventado, sendo ela gerada nas relações de poder. Assim, ariscamos por esta amostragem de Foucault, que o homem, também, foi inventado – dimensionamos, assim, que até os direitos humanos universalizado passa para um processo apenas para algo histórico e relativo.
Retomando o tema do poder, Foucault em sua compreensão do exposto, o visualiza não como um objeto natural, mas como uma prática social, expressada em um conjunto de relações. O homem, tem a necessidade de ter no pensamento, no seu pensar o poder não como uma coisa, um objeto ou algo mensurável, onde uns tem e outros não. Exemplificando melhor, como vimos em sala de aula as relações entre o pai e o filho, o rei e seus súditos, o presidente e seus governados, e assim por diante, mas, como um inter-relacionamento que contempla, que se exerce, que opera entre os pares, entre os membros ou sujeitos de uma negociação.
Deste ponto de vista, poder não se restringe ao governo, mas espalha-se pela sociedade em um conjunto de práticas, a maioria delas essencial à manutenção do Estado. O poder é uma espécie de rede formada por mecanismos e dispositivos que se espraiam por todo cotidiano - uma rede da qual ninguém pode escapar. Ele molda nossos comportamentos, atitudes e discursos.

3) ENTRE PERIGO E A CHANCE.
  1. Da mesma maneira de Foucault e Deleuze, Derrida reafirma as margens da filosofia, ao invés da uma filosofia notadamente logocêntrica, isto é, baseada em um único universalismo ocidental. Neste sentido, os textos de Derrida trilham um direcionamento para a imprevisibilidade e a possibilidade. Para tanto, consolida o pensamento de seus antecessores como uma nova maneira de conceber o pensamento: a desconstrução. Através dos apontamentos em sala de aula, elabora um texto próprio a partir dos fundamentos do autor acerca do projeto da DESCONSTRUÇÃO.
  2. Derrida preocupado com a democracia mundial e com o relacionamento dos seres humanos, neste inicio de século, enfrenta duas questões nevrálgicas: a hospitalidade e o perdão. Da mesma forma que os autores: Foucalt e Deleuze, também, se preocupa-se com conceitos novos ou pelo menos com conceitos diferentes extraídos da tradição filosófica. Qual o direcionamento dado pelo autor nestes dois substantivos?
Em Derrida encontramos, do recorte que vimos, quando das aulas ministradas, foi que basicamente, em seus textos articula-se um tom agressivo ao questionar os pressupostos históricos, principalmente ao tratar do discurso em que se apoiava a Metafísica Ocidental. Isso, também, pelas argumentações sobre algumas interpretações, de certas obras clássicas, e o uso indiscriminados de certos conceitos, sobretudo atacando os chamados estruturalistas.
Derrida encaminha uma proposta, cujo nome se deu de desconstrução, denominação sugestiva, uma vez que em sua abordagem o mecanismo de leitura de um texto consistiria, isso fundamentalmente, no desmanche, no desmonte do próprio texto, afim que se pusesse a descoberto tudo quanto nele existe, inclusive os significados que não se ofereciam explicitamente ao leitor. Isso não significa destruição, mas, sim, desmontagem, decomposição da escrita. A desconstrução de um texto, visa descobrir partes do texto que estão dissimuladas e que interferem, interditam ou apresentam obstáculos para o entendimento, ou seja, revelar nos textos elementos que não estão claros.
No exame de várias outras questões ou temáticas, Derrida mostra ênfase, no tange aos temas da hospitalidade e o perdão. Para o segundo ponto, diz que o perdão é o ponto máximo, é a condição para a reconciliação, seja ela feita por indivíduos, das coletividades, dos Estados. Desse modo, o perdão é uma chance. Mas, por outro lado, o perdão não pode levar ao esquecimento da culpa, do esquecimento de um crime, ao risco de ser mal-compreendido, nesse sentido, é um perigo. Mas, como defender o perdão, mediante fatos que nos assombram como: o holocausto, o apartheid, os crimes hediondos – este é o impasse entre o perigo e a chance e Derrida correlata, isto ao movimento e a experiência do perdão, assim diz ele, o perdão é heterogêneo, o perdão não é esquecimento. O perdão, portanto, deve ser incondicional.
A hospitalidade, em Derrida, pode ser assim definida como a aceitação do outro: em nossa casa, em nosso país, mas, pode representar um perigo, pode esse outro ser uma ladrão, um terrorista, ou algo assim. Por outro, lado a hospitalidade é um imperativo ético, é a chance de uma relação pacífica entre os homens. Dessa forma, a acolhida do outro é a condição da ipseidade, já não existe um sem o reconhecimento do outro. A hospitalidade, nesse sentido, também deve ser incondicional.