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sábado, 4 de junho de 2011

SUGESTÕES PARA ESCREVER UM ENSAIO FILOSÓFICO

Prof. Dr. Darlei Dall'Agnol

Não existe um receituário pronto e acabado ou alguma fórmula mágica para fazer filosofia, mas algumas dicas são úteis. Antes de sugeri-las, gostaria de esclarecer algo fundamental a respeito da natureza específica da atividade filosófica. Para escrever um bom trabalho filosófico, por exemplo, um ensaio para uma disciplina (deixando, aqui, a dissertação de mestrado e a tese de doutorado de lado), é necessário ter presente que a filosofia é uma forma de conhecimento sui generis e possui certas especificidades. Algumas delas serão brevemente discutidas a seguir.
Os conceitos são o instrumento básico do filósofo. Por isso, é necessário buscar definições precisas dos termos e das expressões usadas. Muitas das confusões que surgem nas discussões filosóficas são o resultado da falta de clareza sobre o significado dos termos usados. Por isso, é sempre aconselhável deixar claro, ao possível leitor do trabalho, como as palavras estão sendo usadas.
A filosofia expressa-se por argumentos. Um argumento é, grosso modo, uma estrutura de raciocínio que contem premissas e conclusão. Com ele pretendemos sustentar uma opinião. Isto quer dizer que boa parte do tempo dedicado ao filosofiar deve consistir em tentar encontrar razões convincentes para acreditar ou não em algo. Qualquer texto filosófico, seja um simples ensaio ou até mesmo um livro, deve conter uma determinada reivindicação e a sua defesa. Isto pode ter diferentes desdobramentos: pode-se enunciar uma tese e tentar defendê-la; pode-se tentar refutar um argumento apresentado por um filosófo; pode-se tentar refutar uma refutação, etc...
É sempre aconselhável analisar cuidadosamente os argumentos. Algumas dicas são valiosas: examine se a conclusão que um autor quer tirar realmente segue-se das premissas empregadas; avalie se as premissas são plausíveis e, por conseguitne, aceitáveis; procure por possíveis contradições e incoerências de uma posição filosófica; tente encontrar contra-exemplos às generalizações feitas pelos autores; etc...
Tendo feito estas breves observações sobre a natureza da atividade filosófica, aqui vão algumas dicas formais sobre a elaboração do ensaio:
a) escolha um tema que você goste de estudar;
b) num trabalho de graduação, é recomendável que se escreva a partir de um filósofo ou de um tópico muito bem delimitado. Assim, uma maneira interessante de começar um trabalho é reconstruir um argumento de um autor sobre um tema qualquer. Ele pode ser o ponto de partida para o seu próprio argumento, seja para defendê-lo, seja para criticá-lo. Mas é importante notar que um argumento de um autor pode ser vago ou ambigüo (algo que você deve evitar a todo custo) e por isso será necessário fazer uma interpretação cuidadosa do texto;
c) procure sempre discutir um ponto específico e não tente dar conta de uma multiplicidade de temas;
d) planeje seus trabalhos; procure seguir os seguintes passos: escolha um tema; delimite um problema; estabeleça objetivos; rascunhe uma estratégia argumentativa; tenha claro o que você pretende mostrar; etc...
e) estruture seu ensaio de tal forma que na introdução apareça o problema, os objetivos, a justificativa (isto é, a relevância filosófica); no desenvolvimento, as diversas partes do seu argumento (por exemplo, na primeira parte faça a reconstrução de uma posição filosófica e na segunda parte analise a recepção de tal posição) e na conclusão sua visão pessoal, porém não subjetiva, das idéias discutidas;
f) faça uma revisão bibliográfica sobre o tema (evite excesso de comentadores -escolha os melhores- e conheça bem os que usar);
g) escreva de forma clara. Não tenha medo de escrever de forma simples. Mesmo as grandes idéias podem e devem ser enunciadas claramente. Não confunda filosofia com especulações vazias, livre associações ou expressões absurdas. Construa sentenças curtas e plenas de sentido;
h) pense em cada parágrafo de tal forma que a idéia central apareça na primeira linha, a argumentação no meio e a conclusão na última sentença;
i) para a apresentação e as referências bibliográficas siga a ABNT